Calculadora de Tabela-Verdade (Calculadora Lógica)
Na calculadora de tabela-verdade, escreva a fórmula com os símbolos que o seu teclado tem e receba a tabela completa, com uma coluna para cada subexpressão resolvida e a classificação em tautologia, contradição ou contingência.
Contingência Classificação
- Leitura da fórmula
- (p ∧ q) → ¬r
- Proposições
- 3
- Linhas da Tabela
- 8
- Linhas Verdadeiras
- 7
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Tabela Verdade
Com a fórmula do exemplo. Escreva a sua e clique em Calcular.
| p | q | r | p ∧ q | ¬r | (p ∧ q) → ¬r |
|---|---|---|---|---|---|
| V | V | V | V | F | F |
| V | V | F | V | V | V |
| V | F | V | F | F | V |
| V | F | F | F | V | V |
| F | V | V | F | F | V |
| F | V | F | F | V | V |
| F | F | V | F | F | V |
| F | F | F | F | V | V |
O que é uma tabela-verdade
A tabela-verdade lista todas as combinações possíveis de verdadeiro (V) e falso (F) para as proposições de uma fórmula lógica, e mostra o valor da fórmula em cada uma. É o jeito de saber, sem argumento nenhum, quando uma afirmação composta é verdadeira: basta percorrer as linhas.
A página monta a tabela de qualquer fórmula com até seis proposições, com uma coluna para cada parte da fórmula resolvida na ordem em que a conta acontece, e diz no fim se ela é tautologia, contradição ou contingência.
Como montar uma tabela-verdade
O número de linhas é 2 elevado ao número de proposições, porque cada uma pode ser V ou F. Com p, q e r:
- Faça uma coluna para cada proposição e preencha as combinações: a primeira troca de valor na metade das linhas, a segunda a cada quarto, e assim por diante, sempre começando em V.
- Faça uma coluna para cada parte da fórmula, das mais internas para as de fora, respeitando os parênteses e a precedência.
- Resolva cada coluna linha a linha pela tabela do conectivo dela.
- A última coluna é a fórmula inteira, e é ela que dá a classificação.
É exatamente o que a calculadora faz, na mesma ordem de linhas do gabarito.
Como escrever a fórmula
O seu teclado não tem ¬, ∧ nem →, e esta página não exige que tenha. Escreva com o que existe no teclado e a fórmula é entendida do mesmo jeito. Quem prefere a notação formal usa as teclas de símbolo abaixo do campo.
| Conectivo | Símbolo | O que você pode digitar |
|---|---|---|
| Negação | ¬ | ~, !, nao, não |
| Conjunção | ∧ | ^, &, &&, ., e |
| Disjunção | ∨ | v, ||, +, ou |
| Disjunção exclusiva | ⊻ | xor, ⊕ |
| Condicional | → | ->, =>, ⊃ |
| Bicondicional | ↔ | <->, <=>, ≡ |
| NAND | ↑ | nand, ⊼ |
| NOR | ↓ | nor, ⊽ |
A barra sozinha, |, a calculadora recusa, e não é implicância. Ela é a notação original do traço de Sheffer, que é o NAND, e é também a disjunção de quem escreve código. As duas leituras discordam em toda linha da tabela, e escolher uma em silêncio entregaria a resposta errada com cara de certa. Para disjunção há v, ou, ||, + e ∨; para NAND há nand, ↑ e ⊼.
Proposição aqui é uma letra só, e pode ser qualquer uma: as teclas trazem p q r s t u, que é a sequência dos livros brasileiros, mas A, B e C funcionam do mesmo jeito se o seu exercício usa essas. Maiúscula e minúscula são a mesma proposição, então P ^ p tem uma coluna só; e a coluna sai como você escreveu, sem trocar a caixa. O teto é de seis proposições, que já são 64 linhas.
O caso do v, que é conectivo e é nome de proposição
No Brasil quase todo mundo escreve a disjunção como v, e v também é um nome perfeitamente plausível de proposição. p v q é claro; v ^ p é outra coisa.
A regra é a posição, e ela vale sempre: onde a fórmula espera um conectivo, o v é disjunção; onde ela espera uma proposição, o v é proposição. Em p v q ele está entre dois operandos e é o ou. Em v ^ p ele abre a fórmula e é uma proposição chamada v, com coluna própria na tabela.
O que a página recusa é a letra nos dois papéis na mesma fórmula. (v ^ p) v q teria uma coluna chamada v numa tabela em que v também é o conectivo, e aí não há leitura única: a recusa nomeia as duas e oferece as duas saídas, escrever o conectivo como ou ou trocar o nome da proposição. A mesma regra vale para o e.
O que é uma proposição, e o que não é
Proposição é uma frase que pode ser julgada verdadeira ou falsa, e uma coisa ou a outra. “Está chovendo” é proposição. “Sete é maior que três” é proposição, e é verdadeira. “Sete é maior que dez” é proposição, e é falsa.
Não são proposições: perguntas (“está chovendo?”), ordens (“feche a janela”), pedidos, exclamações e frases sem valor de verdade definido (“esta frase é falsa”). Também não são proposições as expressões com variável livre, como “x é maior que três”: sem saber quem é x, não há o que julgar.
Na tabela, cada proposição vira uma coluna, e a tabela percorre todas as combinações possíveis de verdadeiro e falso entre elas. Com uma proposição são duas linhas, com duas são quatro, com três são oito. O número de linhas é 2 elevado ao número de proposições, e é por isso que seis proposições já são 64 linhas.
Os conectivos, um a um
Um conectivo pega o valor de verdade das partes e devolve o valor de verdade do todo. Não importa sobre o que as frases falam: importa só se são verdadeiras ou falsas. Por isso cada conectivo cabe numa tabela pequena, e essas tabelas são a definição dele.
Negação: ¬p
Inverte. Se p é verdadeira, ¬p é falsa; se p é falsa, ¬p é verdadeira. Em português: “não é o caso que p”.
| p | ¬p |
|---|---|
| V | F |
| F | V |
Conjunção: p ∧ q
Verdadeira só quando as duas são verdadeiras. É o “e” do português, e também o “mas”: “Pedro é inteligente mas preguiçoso” afirma as duas coisas, e a diferença de tom entre “e” e “mas” se perde na tradução para a lógica.
| p | q | p ∧ q |
|---|---|---|
| V | V | V |
| V | F | F |
| F | V | F |
| F | F | F |
Disjunção: p ∨ q
Verdadeira quando pelo menos uma é verdadeira, inclusive quando as duas são. É o “ou” inclusivo, o “e/ou” dos contratos. “Leva guarda-chuva ou casaco” continua verdadeiro se você levar os dois.
| p | q | p ∨ q |
|---|---|---|
| V | V | V |
| V | F | V |
| F | V | V |
| F | F | F |
Disjunção exclusiva: p ⊻ q
Verdadeira quando exatamente uma é verdadeira. É o “ou” de “ou você vai, ou você fica”: as duas juntas não valem. A única linha que separa a exclusiva da inclusiva é a primeira.
| p | q | p ⊻ q |
|---|---|---|
| V | V | F |
| V | F | V |
| F | V | V |
| F | F | F |
Condicional: p → q
Falso em uma única linha: quando p é verdadeira e q é falsa. Em português, “se p, então q”. O p se chama antecedente e o q, consequente.
| p | q | p → q |
|---|---|---|
| V | V | V |
| V | F | F |
| F | V | V |
| F | F | V |
Bicondicional: p ↔ q
Verdadeiro quando as duas têm o mesmo valor. Em português, “p se e somente se q”. É a forma de dizer que as duas são equivalentes.
| p | q | p ↔ q |
|---|---|---|
| V | V | V |
| V | F | F |
| F | V | F |
| F | F | V |
NAND: p ↑ q
A negação da conjunção: falso só quando as duas são verdadeiras, verdadeiro nas outras três linhas. Lê-se “não os dois”. Também chamado de traço de Sheffer, e a razão de ele ter nome próprio é curiosa: todos os outros conectivos podem ser escritos só com ele.
| p | q | p ↑ q |
|---|---|---|
| V | V | F |
| V | F | V |
| F | V | V |
| F | F | V |
Conferindo a definição: cole ~(p ^ q) <-> (p nand q) na calculadora. É tautologia, porque os dois lados são a mesma coisa escrita de dois jeitos.
NOR: p ↓ q
A negação da disjunção: verdadeiro só quando as duas são falsas. Lê-se “nem um, nem o outro”. Também chamado de flecha de Peirce, e tem a mesma propriedade do NAND: sozinho, escreve todos os outros.
| p | q | p ↓ q |
|---|---|---|
| V | V | F |
| V | F | F |
| F | V | F |
| F | F | V |
A definição correspondente é ~(p v q) <-> (p nor q), também tautologia.
Os dois exigem parênteses quando se repetem. Nem o NAND nem o NOR são associativos: (p ↑ q) ↑ r e p ↑ (q ↑ r) têm tabelas diferentes, e as duas têm cinco linhas verdadeiras, só que não as mesmas. Por isso p ↑ q ↑ r é recusado em vez de a calculadora escolher um agrupamento por você.
Por que “se falso, então verdadeiro” é verdadeiro no condicional
Esta é a linha que mais gera dúvida, e é onde a maioria dos geradores ruins erra. As duas últimas linhas da tabela do condicional são verdadeiras: F → V é verdadeiro, e F → F também é.
O jeito de entender é ler o condicional como uma promessa. “Se chover, eu levo guarda-chuva.” Em que situação você quebrou a promessa? Só numa: choveu e você não levou. Se choveu e você levou, cumpriu. Se não choveu e você levou assim mesmo, não quebrou nada, porque a promessa não dizia nada sobre dia sem chuva. Se não choveu e você não levou, também não quebrou nada.
A promessa só é falsa quando o antecedente acontece e o consequente não. Nas duas linhas de antecedente falso ela não foi posta à prova, e uma promessa que não foi posta à prova não foi quebrada. Em lógica clássica, não quebrada significa verdadeira.
Isso incomoda porque no português do dia a dia o “se, então” carrega uma ideia de causa que o condicional lógico não tem. “Se a Lua é de queijo, então dois mais dois é quatro” é verdadeiro pela tabela, embora as duas frases não tenham nada a ver uma com a outra. A lógica proposicional olha só para os valores de verdade, e esse é o preço de olhar só para eles.
Precedência dos conectivos, e quando o parêntese é obrigatório
Sem parênteses, a ordem é esta, do que liga mais forte para o que liga mais fraco:
O sinal ≻ se lê “liga mais forte que”, e ∨, ⊻, ↑ e ↓ ficam no mesmo nível.
Então ~p ^ q é (¬p) ∧ q, e não ¬(p ∧ q). As duas fórmulas têm tabelas diferentes: escreva as duas na calculadora acima e compare a última coluna.
O condicional associa à direita: p -> q -> r é lido como p → (q → r), e não como (p → q) → r. As duas leituras dão tabelas diferentes, e há divergência entre livros nesse ponto. Por isso a calculadora devolve a leitura que fez com o parêntese explícito: se você quer a outra, escreva os parênteses.
Misturar dois conectivos diferentes desse nível sem parênteses a calculadora recusa. (p v q) xor r e p v (q xor r) discordam na linha em que as três são verdadeiras, e escolher uma das duas em silêncio entregaria a tabela errada com cara de certa. O mesmo vale para repetir ↑ ou ↓, que não são associativos; ∨ e ⊻ são, e encadeiam à vontade.
Tautologia, contradição e contingência
Pronta a tabela, a última coluna classifica a fórmula em uma de três:
- Tautologia: verdadeira em todas as linhas. Ela não depende de nada, é verdadeira por causa da própria forma.
p v ~pé o exemplo mais curto. - Contradição: falsa em todas as linhas.
p ^ ~p. - Contingência: verdadeira em algumas linhas e falsa em outras. É o caso da maioria das fórmulas, e quer dizer que o valor dela depende de quais proposições são verdadeiras.
Uma fórmula é tautologia se, e somente se, a negação dela é contradição. E duas fórmulas são equivalentes quando o bicondicional entre elas é tautologia, que é o teste que a seção seguinte usa.
As equivalências notáveis
São as fórmulas que aparecem em toda prova, e cada uma se demonstra do mesmo jeito: escreva o bicondicional entre os dois lados e confira se a última coluna é V em todas as linhas. Copie qualquer uma para o campo acima.
| Nome | Para colar | O que ela diz |
|---|---|---|
| De Morgan, da conjunção | ~(p ^ q) <-> (~p v ~q) |
Negar um “e” vira “ou” entre as negações |
| De Morgan, da disjunção | ~(p v q) <-> (~p ^ ~q) |
Negar um “ou” vira “e” entre as negações |
| Contraposição | (p -> q) <-> (~q -> ~p) |
“Se p, então q” é o mesmo que “se não q, então não p” |
| Condicional como disjunção | (p -> q) <-> (~p v q) |
Todo condicional pode ser escrito sem o → |
| Dupla negação | ~~p <-> p |
Negar duas vezes volta ao começo |
| Modus ponens | ((p -> q) ^ p) -> q |
Se vale “se p então q” e vale p, então vale q |
| Modus tollens | ((p -> q) ^ ~q) -> ~p |
Se vale “se p então q” e q é falsa, então p é falsa |
| Silogismo hipotético | ((p -> q) ^ (q -> r)) -> (p -> r) |
Condicionais se encadeiam |
Todas as oito são tautologias. Se alguma delas aparecer como contingência na sua conta à mão, o erro está na conta, e a tabela desta página mostra em qual linha ele aconteceu.
A demonstração de De Morgan, coluna a coluna
É a tabela que a calculadora monta para ~(p ^ q) <-> (~p v ~q). A última coluna é V nas quatro linhas, e por isso os dois lados são equivalentes.
| p | q | p ∧ q | ¬(p ∧ q) | ¬p | ¬q | ¬p ∨ ¬q | ↔ |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| V | V | V | F | F | F | F | V |
| V | F | F | V | F | V | V | V |
| F | V | F | V | V | F | V | V |
| F | F | F | V | V | V | V | V |
Fórmula usada
As tabelas dos conectivos, a valoração recursiva de uma fórmula a partir das subfórmulas imediatas, o número de linhas l = 2ⁿ e as definições de tautologia, contradição e contingência seguem MORTARI, Cezar A. Introdução à lógica. São Paulo: Editora Unesp, 2001, capítulo 9, "Valorações" (2ª edição, Fundação Editora Unesp, 2017). A precedência aplicada é a convencional, ¬ acima de ∧, acima de ∨ e ⊻, acima de →, acima de ↔, e o condicional associa à direita; como há divergência entre livros nesse ponto, a leitura que o programa fez é devolvida na tela com os parênteses explícitos.
Perguntas frequentes
Quantas proposições a tabela aceita?
Seis, que são 64 linhas. Com dez seriam 1.024, e uma tabela de mil linhas não ajuda ninguém a conferir exercício nenhum. Acima de seis a calculadora avisa quantas linhas a sua fórmula teria.
Em que ordem as linhas aparecem?
Na ordem canônica dos livros: as proposições em ordem alfabética, a primeira coluna trocando de valor na metade da tabela, a segunda a cada quarto, e assim por diante, sempre começando em V. É a mesma ordem do gabarito, então dá para comparar linha a linha.
Por que aparecem colunas que eu não pedi?
Porque cada subexpressão da fórmula ganha a coluna dela, resolvida na ordem em que a conta acontece. Para (p ^ q) -> ~r aparecem p ∧ q e ¬r antes do resultado, que é o que o professor pede para ver. Subexpressão repetida entra uma vez só.
Posso copiar a tabela para o trabalho?
Pode, de duas formas. “Copiar a tabela” entrega o texto com as colunas alinhadas, para colar em qualquer lugar. “Copiar para planilha” separa as células por tabulação, que é o que faz o Excel, o Google Sheets e o Word colarem cada valor na célula certa.
A calculadora resolve lógica de predicados?
Não. Quantificadores, mapa de Karnaugh, simplificação booleana e portas lógicas ficam de fora: esta página trata de lógica proposicional, que é o conteúdo em que a tabela verdade é a ferramenta.
V e F ou 1 e 0?
A tabela usa V e F, que é a notação corrente nos livros brasileiros. Quem precisa de 1 e 0 copia para a planilha e substitui de uma vez.
Com 1 e 0 no lugar de V e F, cada linha vira um número binário: com três proposições, VVV é 111, o 7 decimal, e a ordem canônica desce de 7 até 0.