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Calculadora de Concreto

A calculadora de concreto dá os sacos de cimento, o metro cúbico de areia e de brita e os litros de água a partir do volume e do traço. Os traços vêm de um estudo de dosagem experimental com fonte declarada, e não de tabela antiga sem origem.

Quanto Material para o Concreto

Exemplo: laje de 5 m por 4 m com 10 cm de espessura, a 25 MPa.

O volume vem de

A altura da camada de concreto. Laje maciça de casa costuma ficar entre 8 e 12 cm; contrapiso, entre 3 e 5; calçada de passeio, entre 6 e 8.

Cimento A sigla está no saco. O CP II-E é o mais comum em obra de casa; o CP V-ARI ganha resistência mais rápido e é o de quem precisa desformar cedo.
Resistência de Dosagem aos 28 Dias É a resistência de DOSAGEM, e não o fck do projeto. Para chegar ao fck é preciso descontar o desvio padrão das condições de preparo, pela NBR 12655.

O que se perde na betoneira, no carrinho e na forma. Concreto perde menos que peça cortada, e o costume fica perto de 5%. %

Você precisará de

2,1 m³

13 sacos de 50 kg de cimento

Areia
1,313 m³, ou 73 latas de 18 L
Brita 1
1,195 m³, ou 66 latas de 18 L
Água
399 L
Aditivo Plastificante
7,77 L de plastificante, que são 1,5% da massa de cimento
Traço
1 : 2,14 : 1,95 em volume, com CP II-E-32
Relação Água/Cimento
0,65 de água por quilo de cimento
A Conta
5 × 4 m de área por 10 cm de espessura dão 2 m³; com 5% de perda, 2,1 m³. A 25 MPa de dosagem, o consumo é de 292 kg de cimento por m³.

Leia Antes de Usar

Estes MPa são resistência de DOSAGEM aos 28 dias (fcm), e não o fck do projeto. Para chegar ao fck, aplique fck = fcm − 1,65 × sd, com o desvio padrão das condições de preparo pela NBR 12655. Concreto de estrutura pede projeto de profissional habilitado.

De Onde Vem o Traço

Regra vigente desde 01/03/2003: ABNT NBR 6118:2003 e ABNT NBR 14931:2004, pelos traços de dosagem experimental de Barboza e Bastos (UNESP Bauru)

Você conseguiu resolver o seu problema?

O Traço, para Um Saco de Cimento

Exemplo: quantas latas de areia e de pedra para um saco, a 20 MPa.

Cimento
Resistência de Dosagem

Consumo por Metro Cúbico

269 kg de cimento

6,5 latas de areia, 5,8 de pedra e 2 de água para cada saco de cimento

A Medida
Lata de 18 L, para um saco de 50 kg de CP II-E-32
Traço em Massa
1 : 3,39 : 3,31
Traço em Volume
1 : 2,34 : 2,08
Relação Água/Cimento
0,73 de água por quilo de cimento
Aditivo
630 mL de plastificante por saco
Ganho de Resistência
Antes dos 28 dias: 6 MPa aos 3 dias, 10 MPa aos 7 dias.

Leia Antes de Usar

Estes MPa são resistência de DOSAGEM aos 28 dias (fcm), e não o fck do projeto. Para chegar ao fck, aplique fck = fcm − 1,65 × sd, com o desvio padrão das condições de preparo pela NBR 12655. Concreto de estrutura pede projeto de profissional habilitado.

De Onde Vem o Traço

Regra vigente desde 01/03/2003: ABNT NBR 6118:2003 e ABNT NBR 14931:2004, pelos traços de dosagem experimental de Barboza e Bastos (UNESP Bauru)

O que é o traço do concreto

O traço é a proporção entre cimento, areia e brita no concreto, escrita com o cimento valendo 1: um traço 1 : 2 : 3 leva uma parte de cimento, duas de areia e três de brita. Junto do traço vem a relação água/cimento, que diz quantos quilos de água entram para cada quilo de cimento e é o que mais manda na resistência. A página parte do volume da peça e do traço escolhido e devolve os sacos de cimento, a areia, a brita, a água e o aditivo.

Como calcular o material do concreto

Primeiro o volume, depois a perda, depois o consumo do traço. Laje de 5 m por 4 m com 10 cm de espessura, a 25 MPa, com CP II-E-32 e 5% de perda:

V=5×4×0,10=2 m³com perda=2×1,05=2,1 m³cimento=2,1×292613 kg

São 12,3 sacos de 50 kg, e a página arredonda para 13, porque cimento se compra por saco. No mesmo traço vêm 1,313 m³ de areia, 1,195 m³ de brita 1, 399 litros de água e 7,77 litros de plastificante.

Resistência de dosagem não é fck, e a diferença não é detalhe

É a coisa mais importante desta página, e a que quase nenhuma calculadora de concreto diz.

Quando um projeto pede “concreto de 25 MPa”, ele está pedindo fck: a resistência característica, que é aquela que 95% dos corpos de prova têm de superar. O traço não é dosado para o fck, é dosado para uma resistência média maior, porque o concreto feito na obra varia de betonada para betonada.

fck=fcm1,65×sd

O sd é o desvio padrão, e a NBR 12655 diz qual adotar conforme as condições de preparo: obra com medição em massa e controle de umidade tem um; obra que mede areia com lata e olha para o céu tem outro, bem maior. Num canteiro pequeno, um traço dosado para 25 MPa pode entregar um fck bem abaixo de 20.

Concreto de estrutura pede projeto. Esta página serve para dimensionar a compra e para entender a conta, não para substituir o engenheiro que assina a laje.

De onde vêm estes traços

De BARBOZA e BASTOS, “Traços de concreto para obras de pequeno porte”, UNESP, Faculdade de Engenharia de Bauru: um estudo de dosagem experimental que ensaiou três tipos de cimento e construiu diagramas de dosagem para chegar a 24 traços, de 15 a 50 MPa. Está citado por inteiro na metodologia abaixo, com as três ressalvas que os próprios autores fazem.

Isso importa porque as tabelas de traço que circulam em obra costumam vir de livros dos anos 70, com brita 1 e brita 2 combinadas, que hoje quase ninguém usa, e sem atender às relações água/cimento que a NBR 6118 passou a exigir. O próprio artigo começa dizendo isso.

E importa também pelo que o estudo declara sobre si mesmo: os materiais são de uma região específica, e os autores escrevem que os traços são sugestão para um proporcionamento inicial. Areia de rio, areia de brita e areia de cava se comportam diferente.

Todos estes traços levam aditivo

Plastificante, a 1,5% da massa de cimento, o que dá cerca de 630 mL por saco. Não é enfeite: é ele que permite o concreto ficar trabalhável com pouca água.

Aqui está o nó de quem faz concreto na obra. Água a mais deixa a mistura fácil de trabalhar e destrói a resistência. É a relação água/cimento que manda no resultado, e ela aparece em toda resposta desta página justamente por isso. Sem plastificante, um traço de 0,65 de a/c fica duro na betoneira, e a tentação é jogar um balde de água, que leva o a/c para 0,80 e a resistência para menos da metade.

Se você não vai usar aditivo, conte com um concreto mais seco que o do ensaio, e resista à água extra.

Traço de concreto por resistência

Com cimento CP II-E-32, os traços do estudo para cada resistência de dosagem, em volume, com a relação água/cimento:

Traço em volume e relação água/cimento, CP II-E-32
Resistência Traço Água/cimento
15 MPa 1 : 2,65 : 2,3 0,85
20 MPa 1 : 2,34 : 2,08 0,73
25 MPa 1 : 2,14 : 1,95 0,65
30 MPa 1 : 1,96 : 1,83 0,58
35 MPa 1 : 1,79 : 1,7 0,54
40 MPa 1 : 1,67 : 1,62 0,51

E o consumo de cimento por metro cúbico de concreto pronto:

Consumo de cimento por m³, CP II-E-32
Resistência Cimento Por m³
15 MPa 239 kg 4,8 sacos
20 MPa 269 kg 5,4 sacos
25 MPa 292 kg 5,8 sacos
30 MPa 317 kg 6,3 sacos
35 MPa 344 kg 6,9 sacos
40 MPa 365 kg 7,3 sacos

Quanto maior a resistência, mais cimento e menos água por quilo de cimento. O traço 1 : 2 : 3, que se decora, não é nenhum destes, e sem a relação água/cimento controlada ele não garante resistência nenhuma.

A lata de 18 litros

Ninguém mistura um metro cúbico de uma vez. Mistura um saco de cimento por vez, e mede areia, pedra e água em lata. Por isso a página tem o bloco do traço para um saco: é a receita que vai para a betoneira. Com CP II-E-32:

Latas de 18 L por saco de 50 kg de cimento
Resistência Areia e pedra Água
15 MPa 7,4 e 6,4 2,4
20 MPa 6,5 e 5,8 2
25 MPa 5,9 e 5,4 1,8
30 MPa 5,5 e 5,1 1,6
35 MPa 5 e 4,7 1,5
40 MPa 4,6 e 4,5 1,4

Repare que o traço em volume e o traço em massa são números diferentes para a mesma mistura. Um metro cúbico de areia não pesa o mesmo que um metro cúbico de brita, e uma lata cheia de areia úmida tem menos areia dentro que uma lata de areia seca. Medir em massa é sempre mais preciso; medir em lata é o que dá para fazer na obra.

Areia úmida engana a lata

Areia molhada incha: o mesmo peso ocupa mais volume, porque a água separa os grãos. O coeficiente de inchamento da areia do ensaio chegou a 1,34, ou seja, a mesma areia pode ocupar um terço a mais de lata quando está úmida.

Duas consequências. A lata de areia úmida leva menos areia do que você pensa, o que deixa o traço mais rico em cimento, que não é grave. E a água que vem na areia se soma à água da mistura, o que sobe a relação água/cimento, e isso é grave. Por isso o artigo manda diminuir a água quando a areia estiver úmida.

Volume de estaca e de pilar

Pilar, viga e baldrame são prismas: comprimento vezes largura vezes altura. Um pilar de 20 × 20 cm com 3 m tem 0,2 × 0,2 × 3 = 0,12 m³. A estaca é um cilindro, e o volume é a área do círculo vezes o comprimento. Estaca de 30 cm de diâmetro com 6 m:

V=π×0,152×60,424 m³

O raio é a metade do diâmetro, e usar o diâmetro no lugar dele quadruplica o volume.

Quando comprar usinado em vez de fazer na obra

A conta é simples e quase sempre dá o mesmo resultado: acima de dois ou três metros cúbicos, concreto usinado sai melhor. Não pelo preço do material, mas porque a central mede em massa, controla a umidade dos agregados, emite o relatório de dosagem e entrega tudo de uma vez, o que evita a junta fria de quem concreta uma laje em duas betonadas com meia hora de diferença.

Concreto de obra faz sentido em pilarete, em contrapiso, em calçada e em reparo, que é onde o volume é pequeno e chamar caminhão não se justifica.

Fórmula usada

V=c×l×e Vestaca=π×r2×c material=V×(1+p)×k c, l e e são comprimento, largura e espessura, e r o raio da estaca. p é a perda e k o consumo por m³ do traço escolhido. Os sacos de cimento são o cimento dividido por 50 kg, arredondado para cima.

Os traços foram transcritos à mão das Tabelas 3, 4 e 5 de BARBOZA, Marcos R.; BASTOS, Paulo Sérgio, "Traços de concreto para obras de pequeno porte", UNESP, Faculdade de Engenharia de Bauru, Departamento de Engenharia Civil. O estudo segue o método de dosagem IPT/EPUSP apresentado por Helene e Terzian, com Diagramas de Dosagem construídos a partir dos traços Rico (1:3,5), Médio (1:5,0) e Pobre (1:6,5) para cada um de três cimentos, teor de argamassa de 57%, brita 1 e abatimento em torno de 17 cm, atendendo às relações água/cimento máximas da NBR 6118:2003 e às prescrições da NBR 14931:2004. Três ressalvas do próprio artigo, que esta página repete. Primeira: as resistências são de dosagem (fcm) e não características (fck); para chegar ao fck aplica-se fck = fcm − 1,65 × sd, com o desvio padrão conforme as condições de preparo, pela NBR 12655. Segunda: todos os traços levam aditivo plastificante a 1,5% da massa de cimento, com massa específica de 1,19 kg/dm³, e foi ele que permitiu abatimento de 17 cm com as relações a/c exigidas; sem o aditivo o concreto fica seco, e acrescentar água para compensar é o que derruba a resistência. Terceira: os materiais são de Bauru/SP, areia quartzosa do rio Tietê e brita 1 de basalto, e os autores escrevem que os traços devem ser vistos como sugestão para um proporcionamento inicial, cabendo a quem usar testar com os materiais da sua região. A areia do ensaio era seca ao sol: com areia úmida, a água da mistura tem de diminuir. A transcrição foi conferida por quatro razões independentes que os próprios números produzem.

Como conferimos este cálculo

Perguntas frequentes

Quantos sacos de cimento para 1 m³ de concreto?

Depende do traço. Com CP II-E-32, cerca de 5,4 sacos para 20 MPa e 5,8 para 25 MPa, sem contar a perda.

O traço 1 : 2 : 3 dá quantos MPa?

Não dá para dizer só pelo traço: a resistência depende principalmente da relação água/cimento, do cimento e dos agregados. É por isso que a página parte da resistência e devolve o traço, e não o contrário.

Posso usar outro cimento?

O estudo ensaiou três tipos, e a página tem os traços dos três. Cada cimento pede o seu traço para a mesma resistência.

Em que esta calculadora se baseia

Os traços saem de um estudo da UNESP publicado na página institucional do autor, e as normas que o estudo cita (ABNT NBR 6118, 14931 e 12655) entram pela leitura dele, e não por leitura própria.

  1. Artigo científico

    Traços de concreto para obras de pequeno porte (BARBOZA, Marcos R.; BASTOS, Paulo Sérgio)

    UNESP, Faculdade de Engenharia de Bauru

    O que a página usa daqui: As Tabelas 3, 4 e 5, com os traços por cimento e resistência de dosagem, transcritas em assets/data/parametros/construcao.json, e as três ressalvas do próprio artigo: resistência de dosagem e não característica, aditivo plastificante em todos os traços e materiais de Bauru.

    Consultado em . PDF publicado na página do autor na Faculdade de Engenharia de Bauru, que é onde a obra foi publicada; lido e transcrito à mão, com a transcrição conferida por quatro razões que os próprios números produzem.

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